abril 06, 2005
Devido a razões técnicas (nabice do autor),
o Faccioso mudou-se para : www.faccioso.blogspot.com
Obrigado pela sua visita.
abril 04, 2005
A Obra e os Pedreiros.
Há dias publiquei aqui um post sobre estas duas congregações de irmãos.
Não há naquele post nem nos meus pressupostos, qualquer ideia favorável a limitações, proibições ou perseguições, que são os tradicionais modos de pensar pretorianos e que repugnam a este blog.
Aqui, pelo menos por enquanto, vive-se em Liberdade e a democracia não parece correr perigo. Felizmente.
Com isto respondo aos leitores indignados que se dignaram agredir-me.
Fiquem vossas senhorias descansadas, que as opiniões contrárias não atormentam a opinião deste blog. Aliás, ser Faccioso tem sido na maior parte dos casos estar com a opinião virada ao contrário, pelo que temos que concordar que se há duas opiniões e esta está do avesso, a outra, necessariamente, estará do direito. São, poderá dizer-se, as duas faces da realidade.
Façam o favor de se servirem do e-mail, que é para isso que serve. Obrigado.
Depois, gostaria de acrescentar o seguinte.
O que não gosto naquelas congregações é essencialmente – o carácter secreto e as inquietações que isso sugere.
O seu carácter secreto, subterrâneo e opaco, transmite a imagem de estarem em conspiração permanente, ninguém sabendo a favor de quê.
E é desta incógnita que aflora a inquietação quanto aos objectivos que obrigam, ou justificam, o modus vivendi subterrâneo destas congregações.
Ora se o carácter secreto de uma organização pode atribuir-se a serem os seus membros inclinados a histórias de cavalaria e outras epopeias épicas, as organizações em causa, tendo em conta o alto perfil dos seus membros mais conhecidos, leva-nos a afastar essa hipótese pueril.
E isso só pode levantar inquietações ainda maiores.
Que ideia faz o cidadão comum, acerca desses eventuais objectivos?
Como descreve o cidadão – estas congregações? Bastará perguntar-se na rua.
Hipótese - (achará o eventual leitor, plausível ou não):
O Objectivo das duas congregações, estará em colocarem os seus fraternos nos lugares chave da sociedade ou em situação de os poderem condicionar, para alcançarem o poder de influenciar as decisões a favor daquilo que as congregações acharem útil em cada conjuntura.
A Estratégia estará em dotarem-se as congregações de cartolas, de onde se façam sair obras de relevo e benesses sociais de primeira página, para se conferir à estrutura grau de dignidade e justificação existencial adequadas, ao mesmo tempo que se atenua a inquietação pública pelo secreto e se propagam os fumos que permitem aos mesmos fraternos, continuarem a agir na obscuridade.
Supõe-se que um método usado para casar lugares com fraternidades seja o de se estribarem as qualidades de cada um, à partida indiscutíveis, no eficaz bilhetinho de recomendação, tal como usava fazer em certos casos o dr. Salazar.
Isto pode ser tudo imaginação facciosa, evidentemente.
Mas estranho que num tempo de Liberdade e num lugar de democracia e de Direito, haja razão de ser para sociedades secretas que não seja a de quererem achar o “Céu”, uns por caminhos ínvios, e outros por caminhos de pedras.
Acho eu. Mas posso estar errado.
O polvo pode até ser um animal mitológico.
abril 03, 2005
Em memória de Karol Vojtyla

Edvard Munch
e
Missa em Si menor - J.S.Bach, BWV 232
Gustav Leonhardt - La Petite Bande
Cidade Eterna

Roma - Panteão
As capitais de que mais gosto na Europa, são:
Roma - História, Arte, cores, jardins.
Londres - cosmopolita, pubs, modernidade.
Stockholm - Arquipélago, água, natureza.
Madrid - Plaza Mayor, botequins, agitação.
Por esta ordem.
Viveria muito bem em qualquer destas cidades.
Mas entre todas, Roma seria sem dúvida a minha eleita.
Passear em Roma, descansar nas suas piazzas, visitar os museus do Vaticano, ajuda-nos a compreender melhor como foi possível aos romanos, os verdadeiros civilizadores do Mundo, organizarem um Império tão extenso e tão heterogéneo como era o Império Romano.
Roma tem ainda a atmosfera do Império. É ainda a cidade mais grandiosa do ocidente.
Se ainda não esteve em Roma, experimente na próxima oportunidade.
Verá como é inevitável voltar lá mais vezes.
Evite o calor de Julho e Agosto.
No Império da Inveja.
post de RAF, em Blasfémias.
Este post traz-me à ideia uma conversa que ouvi há anos na rádio, com António Alçada Baptista.
No princípio do séc. XX, um certo funcionário viajou de Lisboa para o Brasil, para assumir as funções para que fora designado na embaixada de Portugal.
Na primeira manhã dirigiu-se à embaixada e perguntou pelo sr. Embaixador.
- Não está, respondeu o recepcionista.
Perguntou então pelo secretário.
- Não está, respondeu o recepcionista.
Perguntou então por um outro responsável.
- Também não está, respondeu mais uma vez o recepcionista.
Admirado, perguntou : mas afinal, aqui não se trabalha de manhã?
Resposta :
- Não é isso. De manhã, não vêm. À tarde é que não trabalham.
Ao ler o post de RAF, faz-me uma certa confusão esta ideia de uma pessoa poder não estar... e simultaneamente – estar.
Diz o sr. Picanço (curioso nome, bem adaptado a tarefas reivindicativas), que “assiduidade não deveria significar comparência ao emprego”.
Pois não. Tem razão o sr. Picanço.
Vejamos um exemplo :
Se o sr. Picanço não tivesse vergonha, tal não deveria significar que um dia comparecesse a passear no rossio - em cuecas.
Apela-se ao sr. Picanço que, por caridade, passe a ser mais faltoso, reduzindo a assiduidade à asneira.
Já agora uma coisa que nada terá que ver com o sr. Picanço - ir para o emprego coçar-se, também não devia significar assiduidade.

Paul Gauguin - Fatata Te Miti
De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?
Tantas perguntas. Nenhumas respostas.
Faz sentido pensar nisto, no momento em que o padre de Cracóvia chega ao fim do seu caminho.
Karol Vojtyla foi um homem com vontade e com coragem.
Naqueles dias em que apoiou activamente a luta dos polacos de Gdansk, foi talvez o homem que mais ajudou à Libertação de todos os povos do leste.
Admiro as pessoas com este grau de coragem. Que entregam a sua vida à realização de uma ideia nobre, como a ideia de Liberdade. A uma ideia que vale a pena.
Para Karol Vojtyla, a Liberdade dos corpos fazia-se pela libertação que acreditava existir no caminho de Cristo.
Para lá desse campo, que não consigo compreender, fico-lhe grato por tudo o resto.
Por ter rodado as chaves que ajudaram a abrir as grilhetas, Libertando metade da Europa.
O Mundo ficou melhor sem o muro. Ficou mais Livre. Ficou mais bonito.
É curioso verificar-se como em poucos anos, e muito devido a este Papa, o vocábulo “Libertação” passou a ter significado “apenas” quando se usa no sentido oposto ao que lhe era dado anteriormente.
A Libertação, afinal, ao contrário do que nos disseram durante tanto tempo, consistia em estender-se este lado – até ao lado lá.
Loja na TV,
O Avental da Sé,
E o mais que a gente vê.
Há um palco cujo cenário ao fundo está formado de papel pardo.
De um lado dançam os Opus. Do outro, chegam os Mestres pedreiros.
Já há tempos, não querendo acreditar no que os olhos nos mostravam, vimos a ideia de fraternidade assomar a um novo e inaudito vértice ecuménico.
Foi o momento em que o sagrado cedeu facilidades ao profano, para que nelas se realizassem, note-se bem, louvores a almas cujas carnes se supunham alérgicas às ditas.
E não ouvimos que à carne do profano, talvez por calejada nas obras, o incenso causasse pústulas desagradáveis, nem que à tez do sagrado, certamente porque lavada em águas santas, aflorasse qualquer supuração vesicular purulenta, ao compulsar aquelas ferramentas rudes.
Estava enganada a plateia, que supunha naquele contacto a erupção do vórtice.
Viu afinal, abrir-se o Mundo novo - A Primeira Ceia dos Fraternos.
Hosanas nas alturas.
O cenário mudou e é agora um formidável colorido.
O sagrado passou a paramentar de Avental.
Ao som dos órgãos solenes e dos sinos graves nas torres, entra em cena o profano - abatinado.
Rojada ao chão, a plateia canta estridente – compassos aos céus.
Sobe no éter um perfume novo.
Mas uma dúvida, uma pertinaz e incómoda dúvida, turva todo o ar em redor.
Será a Opus, aquela maçonaria que reza o terço, que verá crescer-lhe o rebanho pela conversão do maçon, ou será antes a maçonaria, aquela Opus que abjura a reza, que estará prestes a esmigalhar o terço e a hóstia para nesse pó apagar as folhas do breviário sagrado, que depois, em envelopes coloridos, transaccionará na Loja como “Templates” para bilhetes de recomendação?
Não sabemos.
O futuro tem ideias muitas vezes opostas ao que imaginávamos.
Impõe-se, contudo, que D. Policarpo arranque de quem de direito, igual período em horários nobres, para exercer competente contraditório.
A tradição já não é o que era...
Mas perturba-nos a ideia de vermos um dia os Jerónimos abrirem em estância de mármores, pois haveria o risco de um excesso de fervor levar o incumbido a vender as próprias paredes, perdendo-se o monumento nessa incumbência.
De volta...
Depois de umas voltinhas no Blogger, o Faccioso voltou para aqui.
Desculpe o eventual leitor, o incómodo que lhe dei nos últimos dias com a inesperada alteração da morada.
Mais uma vez agradeço a ajuda do amigo AA - "A Arte da Fuga", pelo trabalho que teve em corrigir os problemas gráficos que surgiram quando efectuei a alteração deste blog.
abril 02, 2005
Agradecimento.
Quero agradecer ao amigo António Amaral, autor do excelente blog "A Arte da Fuga", a gentileza em conferir ao Faccioso este aspecto mais agradável.
Foi muito trabalho mas valeu a pena.
Ficou bem bonito.
Um abraço ao António e o meu
Muito obrigado.
março 27, 2005
Por razões técnicas (nabices do autor) o Faccioso está mais apresentável no endereço onde nasceu:
os companheiros dos blogs poderão agora visitar-me ali.
Como sempre, são bem vindas todas as críticas e ideias.
Muito obrigado.

O Caminho, a Verdade e a Vida.
O aperfeiçoamento do Mundo caminha pelo lado feminino.
Também com o lado feminino que há em cada um de nós.
Pedido de Ajuda - Pedido de Ajuda
Como devo fazer para colocar o calendário, os links, etc., numa coluna á direita nesta página ? (como estava anteriormente)
Como devo fazer para que o corpo de texto surja com alinhamento - "justificado" ?
O gentil leitor, pode ajudar-me?
Obrigado.
março 26, 2005
Citações do dia :

to be is not to do !
to do is not to be !
to do or not to do
doesn't matter what you do,
doesn’t matter what to be
do be do be do
make nonsense if you
want be happy with a bee.
do bee do bee do.
bee.
O FUMAÇAS faz dois anos.

Parabéns a um dos nossos melhores blogs.
Parabéns ao João e... cuidado com as comemorações.
Pedido de Ajuda - Pedido de Ajuda
Como devo fazer para colocar o calendário, os links, etc.
numa coluna á direita nesta página ? (como estava anteriormente)
Como devo fazer para que o corpo de texto surja
com alinhamento - "justificado" ?
O gentil leitor, pode ajudar-me?
Obrigado.
março 25, 2005
Sugestão para hoje :

Luigi Cherubini (1760-1842)
Requiem em dó menor.
Missa pro defunctis, Paris 1816.
Também em política, a seriedade é importante.
“Marques Mendes, não irá viabilizar um referendo ao aborto em Junho...
... se o PS insistir nesta data, Marques Mendes ameaça comprometer a revisão constitucional necessária para o referendo à Europa.”
Há momentos que nos mostram se um político tem estatura e estrutura para enfrentar os desafios.
Que nos mostram se está à altura dos acontecimentos.
Ao ler a notícia acima, tenho que concluir que Marques Mendes é mais um daqueles a que estamos habituados.
Porquê?
Porque ninguém compreende a razão que assiste à moeda “referendo à Europa”, que lhe dê valor cambial na escolha da data para o “referendo ao aborto”.
Falta a imaginação, falta a coragem e não queremos acreditar faltarem os princípios.
Esta falta de grandeza no encarar a essência de ser-se oposição, é moralmente condenável, politicamente absurda e ridícula à luz da razão e está fora do tempo.
Hoje, ser oposição já não pode ser a atitude típica - “a resposta é não, mas pode ir dizendo...”
Hoje, o que se espera de uma oposição é que seja séria e inteligente e que fuja das facilidades do oportunismo.
Que critique com inteligência, sendo que inteligência neste campo, significa apoiar o sensato e propor caminhos alternativos quando se critica aquilo que se acha insensato.
É esse o quadro que os eleitores mais apreciam.
Vendo no método do máximo divisor comum a maneira mais fácil de conquistar o partido, Marques Mendes cultiva o estilo do consenso, do oleoso e do pastoso.
Um estilo “pró todos”.
Ganhará o partido porque lhe sobra esperteza, mas não ganhará os eleitores porque lhe falta grandeza.
É o sortilégio das tácticas, dos tiques e dos truques.
Pelo que se tem visto da actuação do PS, o PSD vai ter que se preparar para uma longa noite de solidão.
Os candidatos disponíveis – Marques, o “pró todos” e Menezes, o “anti todos”, já demonstraram que não têm a natureza que faz falta à política nacional no séc. XXI.
Faltará ver se Borges, ou outro, serão um “anti_doto).
Manda quem paga - Drama em 4 actos?
Veremos.
1. Primeiro, a França e a Alemanha fixaram as regras do PEC.
2. Durante algum tempo, os países pequenos foram forçados ao cumprimento dessas regras, sob pena de verem subir o dedo ameaçador do Directório, a exibir a factura.
3. Até que chegou o dia em que sobreveio o interesse, quer da França, quer da Alemanha, em não cumprirem as regras que obrigavam a manter os défice dentro daqueles decimais apertados, que eles próprios haviam fixado.
Que se fez então para ultrapassar o problema ?
4. Mudaram-se as regras para não se beliscar o agricultor francês e o operário alemão.
Muito bem.
Manda quem paga, obedece quem deve.
Depois não se admirem se o PEC resvalar para a falta de crédito e a moeda única começar a perder o terreno de confiança conquistado nas trocas internacionais.
A simpatia é sempre mais fácil, mas às vezes, pôr a simpatia no lugar do lógico e do rigor pode vir a ser contraproducente.
Como um bom costureiro ajuda a bem administrar uma empresa:
Ler-se acerca do concurso público a que apenas um concorrente se apresentou - a compra do sistema de comunicações por 500 Mio. euros a uma empresa com administradores topo de gama nas listas do PSD - pode fazer despontar na ingenuidade dos nossos espíritos, algumas dúvidas ociosas.
Parece que os outros interessados, depois de terem adquirido o caderno de encargos por € 15,000,00 resolveram, todos, desistir do concurso, afirmando alguns que não valia a pena concorrer, pois o vencedor estava encontrado de antemão.
Coisa estranha.
Ficará o eventual leitor a pensar se o caderno de encargos era afinal um fato, cujo fino rigor do corte e exclusiva elegância dos padrões, inviabilizava, por delicadeza em não se ferir o bom gosto, que nele fossem apostos botões, ainda que engastados de pedras preciosas, diferentes dos botões que governam as aparelhagens propostas pela empresa vencedora.
O eventual leitor, que até aqui não via em diferentes botões capacidades essencialmente diferentes, verificará agora que há botões que uma vez premidos, traçam na frequência da comunicação sinusóides cujas amplitudes atingem um espectro muito para lá do alcance de botões que não têm o megahertz tão perfeitamente sintonizado.
É esta articulação entre senos e cosenos, em que entra com carácter determinante o traço da alta costura, que resulta no logaritmo da mais valia nas empresas de sucesso.
É de louvar toda a empresa que equipe os seus serviços com engenharia deste calibre, pois às forças de segurança e por razões de higiene, não podia permitir-se comunicarem boca a boca.
março 24, 2005
Empresa de engenharia cívica, destinada a endireitar sinusóides.

Subitamente no Verão passado (havia um livro com este título), vai uma pessoa a desembocar numa piazza, e... dá com os olhos numa placa assim.
De três em três semanas, aproximadamente, há que abrir uma excepção para cumprir a visita à “Kidyland”.

tradução desta frase em estrangeiro :
- "Nada disso. Mas que fazer?"
(In) segurança.
Segunda feira, o local de cobranças da EDP em Oeiras, foi assaltado.
Ontem, um supermercado “Plus” em Oeiras, foi assaltado.
Na semana passada falaram-me de outro local assaltado (já não me lembro qual) e há umas semanas, um “Gang” andava a assaltar automóveis em plena marginal, quando abrandavam a fazer as rotundas em Carcavelos. Até houve tiroteio com a polícia.
Há dois meses, foi assaltado um centro comercial em Carcavelos.
Há mais crime, ou é só impressão?
Ouvi o sindicato da Polícia dizer na rádio, que quando prendem destes malfeitores e os conduzem ao Tribunal, os criminosos saem de lá antes da própria polícia, pois estes têm que preencher vária papelada legal.
Pergunta-se se há alguém que mande, e se há, quando vai mandar pôr as coisas nos eixos?
Ah, quase me esquecia dos direitos humanos... (lá estou eu a ser radical)
Mesmo apanhado com a boca na botija, o senhor criminoso é respeitosamente chamado - “presumível culpado”.
De facto, o “senhor presumível” podia não estar a furtar o laptop. Podia estar apenas a verificar se o mesmo era realmente portátil, conforme o anunciado na loja.
Há que esperar pelo trânsito em julgado. Aí se fixará se o senhor presumível é realmente culpado, e por consequência, se o presumível proprietário do laptop o era de facto.
Até lá, ninguém, nem o eventual proprietário, pode ter uma certeza segura sobre a quem pertence o laptop que viajava agarrado às costas do senhor presumível.
Até esse momento, há um “presumível” que tem direito à Liberdade e ao bom nome.
Há um ano, furtaram-me um telemóvel. Acontece que a TMN, mesmo comprovando pelos documentos (Factura e B.I.) que eu era o proprietário do aparelho, não podia cancelar o telemóvel sem eu exibir o documento da queixa que tinha que ir previamente apresentar na polícia.
É isto lógico? O meu direito em cancelar um aparelho que eu próprio comprei, não existia?
Existia sim. Mas primeiro, tinha que me entreter umas horas com a burocracia da polícia, para poder exibir na TMN o papel comprovativo da queixa. Bonito.
Resultado :
Como o meu tempo vale mais do que o trabalho que teria para chatear o “presumível”, há “presumivelmente” alguém que trocou o meu telemóvel por uma injecção de coca, transação que teria sido anulada se a TMN pudesse ter cancelado o MEU aparelho sem incorrer numa ilegalidade.
Aconteceu a prevalência do “justo-legal-irracional” sobre o “espírito-lógico-moral”. Paciência.
São os muitos exageros no que erradamente se supõem direitos, que podem conduzir as coisas a situações absurdas.
março 23, 2005
Dúvida I
Porque razão ouvimos chamar ao bar da esquina – “o tasco”, mas o Banco que fica em frente, que é um negócio diferente mas igualmente um negócio, é pomposamente designado como “instituição”?
Pensando nas torrentes filosóficas expendidas á frente de tantos balcões e nos inúmeros espíritos inquietos que lá vão afogar as mágoas, “on the rocks”, fica a dúvida acerca de a qual destes negócios caberá com propriedade, o conceito de “instituição”.
Dúvida II :
A Opus Dei, é uma Maçonaria que reza o terço?
(Esperamos a colaboração dos leitores que quiserem ter a gentileza de lançar luz nestas dúvidas).
março 22, 2005
Li num post :
"Aquele princípio da ONU que fala sobre a soberania dos povos e a não ingerência (?) nas outras nações deve ser completado para incluir "desde que os direitos humanos dos seus cidadãos sejam respeitados". Porque afinal os direitos humanos são mais importantes do que a soberania dos povos. Alguém discorda?"
Aplaudimos de pé, e acrescentamos:
Só aquela parte da esquerda que por hipocrisia divide os tiranos em duas variedades - os ásperos, anti-comunistas e os adocicados, que são os progressistas e anti-capitalistas, discorda, com toda a certeza.
As pessoas decentes também separam os tiranos em dois grupos - os mortos ou apeados e os ainda, infelizmente, no activo.
E são todos igualmente maus.
Está quase...

Todos os anos, mal os dias de Primavera se tornam mais fixos e os dias frios são remetidos à caixa das coisas tristes, penduro as meias.
Entre esta altura e o meio de Outubro, nunca uso meias.
É um prazer enorme sentir o fresquinho nos tornozelos e além disso, as meias são desnecessárias neste tempo.
Traz-me à ideia os tempos de miúdo em que gostava de me descalçar e sentir o frio do chão de cimento. Nessa altura só se usavam meias quando se calçavam sapatos, que eram sempre sapatos a sério, muito bem engraxados e aprumadinhos.
Fora disso, usavam-se sandálias, a não ser quando havia jogo de bola, pois com as sandálias era impossível dar pontapés de jeito. Agora quase só uso sapatos de vela, mas também raramente jogo à bola.
As meias têm o problema de serem insuficientes no Inverno.
No Verão são óptimas para não usar.
Coisas que se aprendem.
A Primavera, que começava a 21 de março, afinal já não começa neste dia.
Devido ao movimento de precessão da Terra e à variação da posição da sua órbita relativamente ao Sol, a posição relativa do ponto vernal (aos anos que não ouvia este nome) vai variando.
É uma boa novidade, já que encurta o Inverno...
março 21, 2005
Citação do dia .
"Perante cada desejo, há que perguntar :
Que vantagem me trará, não satisfazê-lo?"
Epicuro
Gostos.

Classificam-se assim, os 3 príncipes do género queijo :
1º Lugar – Parmigianno
Penúltimo – Roquefort
Antepenúltimo – Serra amanteigado.
Qualquer deles vale o seu peso em facadas nas dietas.
março 20, 2005
Anúncio, exemplo II

FHM - Hidden Thoughts
Este exemplo não mostra nada mas sugere tudo.
É erótico, mas é elegante.
Os anúncios nos outdoor são de uma vulgaridade rasca, mesmo ordinária.
É difícil descer mais baixo na boçalidade.
Será que a nova escola publicitária perdeu a noção do bom gosto?
Anúncio, exemplo I

............... F ....................... H ......................... M
-----------para ---------------gatos -------------- bravos
março 19, 2005
A Publicidade no seu pior.
David Ogilvy, uma das maiores referências na “invenção” da publicidade, dizia que nunca se devia fazer um anúncio que não pudesse ser mostrado à avózinha.
A ideia nesta frase não tem qualquer conteúdo moralista.
Tem apenas o sentido de que a publicidade cumpre um fim específico.
Ela serve para desenhar na mente do consumidor uma representação do conceito do produto e das suas vantagens face à concorrência.
Depois, o conceito que é comunicado, encontrará eco nos clientes que vejam no produto a resposta a determinada necessidade, consciente ou subconsciente, mas que existe sempre a priori.
Se na execução, a publicidade tem que recorrer à criatividade para condensar toda uma mensagem numa frase ou numa imagem e também para obter maior visibilidade, sempre defendi que o resultado final deve conter sempre uma certa elegância.
É frequentemente esquecido um aspecto importante que é a satisfação do sentimento pós compra, isto é, o cliente deve sentir-se bem, sentir que fez uma boa decisão, após adquirir um determinado produto.
Isto, que é mais importante para produtos com maior envolvimento na compra, como bens duráveis e caros, não deixa de ter a sua importância para todos os produtos em geral.
Agarrada à imagem de um produto, está sempre a imagem que o consumidor transmite de si próprio aos outros, quando usa esse produto.
Vem isto a propósito da campanha de uma nova revista – FHM, actualmente nos outdoor .
As imagens comunicadas mostram meninas esculpidas em cima de gigantescas peças de fruta – laranja, banana, maçã, etc.
O texto (o copy) diz – Gostar de fruta é de Homem.
A mensagem comunicada é de uma revista para homens.
Em que segmento de mercado (para que homens) se posiciona esta revista?
Podemos tentar adivinhar.
Tendo em conta a capa e os anunciados conteúdos, a revista estará posicionada para homens entre os 25 e os 35 anos, solteiros, das áreas urbanas e das classes sociais A/B (é corrente dividirem-se as classes sociais em - A, A/B, C e D, para esta finalidade).
Sendo isto aproximadamente correcto, caberá perguntar :
Pensará uma mulher madura, ao ver que o marido frequenta uma revista que vê a mulher essencialmente como um naco de bife, que afinal deve abandonar a dieta e engordar rapidamente, para corresponder aos apetites assim famintos do marido?
Pensará uma mulher mais jovem, ao ver que o namorado se excita nos coloridos daquelas frutas, que deverá tatuar nas ancas – “have you tasted bloody mary” ou “try my juices”?
Pensarão as duas, que a disfunção eréctil dos parceiros é uma possibilidade precoce, que infelizmente já chegou, ou que estará arreliadoramente próxima?
O que é lamentável é a espampanante falta de gosto.
E nem sei se há realmente um mercado para estas infelicidades.

A Margarida fez um teste de História e assinou o nome no final (está na idade em que se começa a treinar a assinatura).
A professora não gostou e escreveu por baixo :
Margarida – não se deve de assinar os testes.
Veio-me o ímpeto de responder :
– senhora professora, não se devem “de” dar erros em português. Fica mal, sobretudo às senhoras professoras.
Moderei os ímpetos porque a miúda podia vir a ser prejudicada.
Mas este travar do ímpeto, mostra que ainda vivemos com receios e isto é uma coisa que chateia.
Inauguração da legislatura

Ó doutor Jaime,
com bróta_agonismo o outro Gama nunca teria chegado lá.
O Legal e o Moral,
são interruptores que se accionam na actividade política.
Vejamos duas atitudes recentes :
Sampaio dissolveu o parlamento – tinha “razão moral”, mas não tinha “razão legal” (em sentido estrito).
Santana voltou à CML – tinha “razão legal”, mas não tinha “razão moral”.
Se o ideal seria que, em todas as opções, estas duas razões andassem de braço dado, o que parece evidente é que, não havendo sintonia, a “moral” deveria prevalecer sobre o “legal”.
Porquê?
Porque simplesmente, o “moral” reflecte mais de perto, com maior rigor, o que está certo, o que está interiorizado, a “verdade”, no íntimo consciente do ser.
O “legal” pode estar errado (toda a lei é susceptível de aperfeiçoamento), mas o “moral”, por definição, não está.
O “legal” é aquilo que está, o “moral” é aquilo que é.
Na minha opinião, a “razão moral” é o alicerce em que deve assentar a acção política.
Há uma luz que se pode extrair deste postulado (por assim dizer), para derramar sobre a história das gravações no caso do apito dourado.
Porque o Juiz não ouviu as primeiras gravações antes de autorizar as segundas, e por isso não podia avaliar se o prolongamento das escutas se “justificava”, estas, porque a sua obtenção não cumpriu a letra da lei, embora possam conter matéria trasparente para incriminar os arguidos, não poderão ser usadas para acusação.
São escutas ilegais, não servem de prova.
Sendo evidente que qualquer “avaliação” que o juiz pudesse fazer ouvindo as primeiras gravações, seria sempre subjectiva, (um juiz achará que se justifica continuar as escutas, outro entenderá o contrário), a “razão legal” parece sobrepor-se àquilo que seria o entendimento simples, a “razão moral” comum (na sociedade).
A “razão legal” é dissonante da “razão moral”.
Neste desencontro parece nascer a incompreensão entre o que o Tribunal decide como “justo - legal” e o que a sociedade percepciona como “correcto - moral”.
Pensemos que casos análogos poderão acontecer por exemplo no processo Casa Pia, e teremos uma ideia do que isso, a ocorrer, trará de mal estar social.
O grande risco desta dissonância é o descrédito no sistema de justiça.
Esta ordem jurídica parece ter sido enviesada por um positivismo que levou à prevalência da “letra – legal” sobre o “espírito – moral” comum, apesar do “moral” ser ontológico relativamente ao “legal”.
Encontrar os elos fracos nestas engrenagens é a função dos advogados e faz a sua fortuna.
Mas pode fazer o Homem descrer no Direito, no Estado, e no Estado de Direito, enfraquecendo o alicerce do social.
Inventar o diapasão que afine estes dois sons harmoniosamente será difícil, mas parece essencial.
Atendendo a críticas de leitores,
publica-se o seguinte aditamento:
O post anterior, como se compreenderá, traça uma imagem hiperbólica cujo sentido é apenas desenhar os personagens mais pitorescos, aqueles “ícones da política”, ressaltando entre todos os aspectos particulares, os mais exóticos e divertidos.
Se o pitoresco pode ser aqui uma excepção, crítica que aceitamos, também é verdade que rebanhos unicamente de ovelhas negras, são raros.
Espera-se com este aditamento aliviar as críticas que classificam este blog como faccioso, acusação que não corresponderá à verdade.
Mas a habitual bonomia deste blog não se quebra por quaisquer destes desaguisados. Era o que faltava.
Reclame sempre, caro leitor.
Igualmente compreendemos que existam leitores cuja boa vontade os deixa mais permissivos a aceitar o convívio com a má política.
Aqui, sempre que deparamos com factos insuportáveis, a indignação impele-nos a dar-lhes logo um pontapé, sabem os amigos leitores - onde.
Mas é sempre por divertimento, pois acreditamos que o Mundo não se muda nestas teclas.
Apenas procuramos aperfeiçoar-nos, mas também não estamos seguros dos eventuais progressos nessa direcção.
março 18, 2005
Biografias do caneiro.
Os que entopem o país :
São o grupo dos eleitos em geral, quer de facto, quer por direito próprio.
Formam a espuma nas artes e nas ideias, o torneado nas inovações, o quartzo nas tecnologias, as rodas no progresso, a superestrutura que diz como é e como tem que ser.
Um, é o portugal burguês.
O portugal que funciona no triângulo “estômago – cérebro – estômago”.
Culto, bem pensante, presunçoso. Rumina digestões cerebrais e nunca passa daí.
Tem como actividade dilecta criticar a obra e os seus artífices, a quem chama, com superioridade e desprezo - tecnocratas.
Estudou em Montpellier, na Sorbonne ou em Lovaina, ou deixou-se andar por lá o tempo suficiente para não ir bater com os costados na Guiné, nos Dembos ou em Moeda.
Veste um aspecto descuidado, que compõe meticulosamente. Raramente usa gravata e quando ocorre ter que a usar, prefere “papillon”.
Distingue-se pelo vocabulário rico, pelo recurso aos francesismos e pelo uso das citações a que recorre com frequência, sempre “en passant”. Também nunca leu o Ulisses (Joyce), mas não refere essa lacuna.
Eventualmente por higiene, dá sempre só um beijinho ao cumprimentar as senhoras e raramente pronuncia a palavra não, preferindo a forma exclusiva - “de todo.”
É tipificado pelo género Caviar, tipo intelectual de esquerda (seja lá isso o que for).
Outro, é o portugal político.
Funciona centrado no “partido - parlamento - partido”.
Inculto no geral, bem falante ou aparentando, preguiçoso, muitas vezes alarve.
Engana o tempo a fingir que sim, a dizer que não e a negociar o contrário. Sempre em comissões, sempre a negociar.
Usa vocábulos particulares, como acessibilidades, impacto ambiental, política sustentada, bem comum, dignidade do Estado, independência nacional, contas públicas, etc.
Este portugal divide-se em dois grupos principais :
Um, mais reduzido - o “hard core” (chamados barões, núcleo duro, etc.)
Outro, o resto do lote - o “coreless”, um género de moscas mortas que foram pousar na marmelada de azedas em que resultou a fermentação do espectro político-partidário.
O primeiro grupo é em quase tudo, semelhante ao burguês intelectual acima referido.
O tipo “hard core” é essencialmente um intelectual a quem cresceram os neurónios que governam a vida prática.
Vê as coisas como elas são, dedica-se aos factos e procura achar neles mais as oportunidades do que os problemas. Tem lugar cativo em todas as listas.
É de entre todos os grupos, aquele que tem a melhor noção do deve e do haver.
Incorre frequentemente em falta por olhar mais ao haver do que ao dever, não tendo problemas em desengonçar as portas do Estado desde que por elas se possa achar muito.
É o político prático, muito repetente, militante sem complexos, quer de esquerda, quer de direita. Usa sempre gravata.
É deste núcleo, desta elite, que geralmente brotam as figuras destinadas a marcar os rumos da navegação governamental.
O político “coreless” também usa sempre gravata (noblesse oblige).
Distingue-se dos anteriores por dizer palavrões, palitar os dentes à mesa e coçar as orelhas com a tampa da esferográfica com que faz esquemas demonstrativos das ideias, na toalha de papel do restaurante.
Dá sempre gorjeta, que é maior quando lhe chamam sr. dr., pois mesmo quando não o é, sendo um "coreless", gosta que o tratem assim.
Em geral não foi além do liceu, mas estudou sempre pouco.
Tirou bacharelato em ciência política e administração geral do estado na juventude partidária, e licenciatura em governação multiusos, já no parlamento.
Tem um luto crónico agarrado às unhas das mãos (imaginem-se as dos pés) a que o uso habitual de verniz (é o único grupo em que se envernizam as unhas no masculino) transmite um tom cinzento pérola, que não consegue disfarçar. Lê todas as linhas dos jornais desportivos, e as gordas no jornal parlamentar. Frequenta o mundo do futebol pelo lado de dentro, e gosta de apitos.
É tipificado pela expressão – borrava botas, agora borra sapatos lotusse.
O tipo autarca (salvem-se as excepções), está incluído neste género.
Os que gostavam de ver o país desentupido :
Longe dos grupos anteriores e muito diferente deles, vivendo noutro lugar, há o portugal das outras pessoas, do cidadão comum, o portugal mais vasto e mais heterogéneo.
Um, é o portugal médio.
É o portugal conhecido por classe média, inculto no geral dos casos mas sem se importar muito com isso, vive entre a casa e o emprego, passando pela escola de manhã a entregar o menino e pelo supermercado à tarde, para comprar o jantar.
Lê os jornais desportivos à semana, e ao sábado, estila com o Expresso debaixo do braço.
Estudou nas escolas do Estado. Alguns andaram nas Universidades onde (salvem-se as excepções), não aprenderam coisas realmente úteis.
Está farto de pagar e não ver nada. É muito terra a terra, detesta o género abstracto. Mantém a esperança, por enquanto. Não vê saída que não seja acreditar, seja lá em quem for.
O outro, é o portugal mais abundante.
É o portugal inculto no geral dos casos mas sem se importar com isso, de poucas falas, trabalhador especializado ou indiferenciado. Lê os anúncios na TV.
Passa o tempo à espera. Desengana-se todas as vezes das promessas não cumpridas.
Está farto de paleio e de pantomina. Não sabe como fazer, mas já viu que assim não dá.
Estes dois portugais, que gostavam de ver o país desentupido, chamam-se “Zé”.
Foram famosos em tempos, mas esqueceram-lhes o nome.
março 17, 2005
Citação do dia :
"Tudo o que é bom, ou faz mal ou é pecado."
O Mundo tem erros de construção...
